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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Dejetos

Recostado aos barrancos da vida observo passivamente meu corpo tombado, trajando farrapos de roupas, delicadamente depositado numa cova rasa... Ainda respirando.
Meu sangue emergindo de minhas entranhas, gota a gota brotando de meus poros, cobrindo-me por inteiro como se fosse um manto.
Algumas gotas escapam e caem no solo encharcando a terra seca.
Os vermes iniciam o seu ritual, ao som de atabaques e violinos festejam... O cálice transborda com a bebida sagrada.
Cantam e dançam, celebram a inércia de meu corpo quase sem vida.
Embriago-me e morro solitário na penumbra vazia do meu quarto frio.


Hannaell Mendes
16/12/2011 - 23h08min

Rex

Meu cachorro me ama.
Ama mais ainda quando divido com ele meu almoço, meu jantar ou meu lanche.
Já tentei convence-lo dividir comigo a sua ração... Por varias vezes, insisti e ele rosnou sinalizando que era proibido, ameaçou me atacar.
Outro dia não havia ainda provado meu almoço ele fitou-me e solicitou a partilha. Coloquei meu prato no chão, ele lambeu o prato e os beiços, sacudiu o rabo e saiu.
Neste dia fiquei sem almoço e também não senti vontade de jantar, dormi no chão frio da sala abraçado com meu amado cão.

Hannaell Mendes
16/12/2011 - 22h51min

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Alice...

Como um fantasma à soleira de uma porta, desfaço-me toda vez que alguém entra ou sai. Todos me tocam, me desmontam. Refaço-me e tento: mais gente passa pela porta, meus pedaços flutuam pelo ar. La vai eu de novo me reconstruir. Procuro tocá-las, chamar atenção, mas... Nada! Ouço as conversas, falam de mim, às vezes. Tento expor minha versão dos fatos porem sou ignorado.
Vem vindo alguém... pluf, vai meus pedaços pelos ares.
Recolho rapidamente meus pedacinhos de fumaça... vem vindo Alice, ela é minha amiga, amo tanto Alice, ela também me ama, mas não assim como eu a amo. Tenho vontade de beijar Alice, aconchegá-la contra meu peito, acariciar seus cabelos, ficar horas olhando nos seus olhos, apreciando a beleza de seu rosto.
Eu queria despir Alice, tomar banho com ela e debaixo do chuveiro tocar seus seios, de leve, bem suave. Abrir a porta do boxe, sentar-me no chão ao lado do vaso sanitário e ficar vendo Alice se banhar, seus cabelos molhados, a água caindo sobre seu corpo nu, arrastando toda espuma que cobrira seu corpo, revelando toda sua angelical nudez, ali, diante de mim.
Amo muito Alice, sinto-a em toda parte, mas Alice desmonta-me toda vez que passa pela porta sem nem perceber-me ali morrendo de desejos por ela. Alice agora esta na cozinha preparando o jantar, sinto o cheiro de seu tempero. Sinto o sabor de sua pele, Alice esta praticamente nua, adora usar roupas sensuais. Enlouqueço toda vez que vejo Alice vestida assim. Desfaço-me por inteiro sem mesmo ninguém passar por mim.
Alice da atenção a todos que a procuram, é paciente, conselheira às vezes até chama a atenção. Alice, ah... Alice...  Agora estou na sala esperando Alice por a mesa do jantar... estou muito ansioso há muito tempo não faço uma refeição na companhia de Alice, não assim a Sós. Ops... Alice! Olha por onde passa desmontou-me novamente. Hunm, que cheirinho bom...
Alice! Alice! Alice...

Hannaell Mendes
08/12/2011 – 19h47min

sábado, 26 de novembro de 2011

AINDA SOMOS OS MESMOS

Em tempos não muito distantes, ancorado ao balcão de boteco um tipo matuto tomava cachaça, de súbito entra um bacuri meio barrigudinho que puxa-lhe a perna de calças, engoliu a cachaça numa talagada só e fitou a criança, que disse: Papai quero um doce, aquele ali.
- Pra que cê que doce, doce istraga us denti menino sua mãe não ti insinou isso não? Vai brinca lá fora, buteco não e luga de criança. A criança insistiu: Papai mamãe disse que muito doce istraga us denti sim, mais que um só de veiz im quando, não faiz mau, não. Em tom áspero retrucou o matuto: Já falei pra ocê sai daqui, sua mãe não sabe o que fala seu mau inducado. Da um dolorido cascudo na criança, que ao sair porta a fora com os olhos lacrimejantes cumprimenta outro tipo que acaba de chegar. Bênça padin. Correndo para fora, senta em um toco a porta do boteco soluçante a resmungar sozinho.
- Tarde cumpadre! Bebendo por conta, já intrego a coieta, né?
- Intreguei mais us homi da maquina inda não pago, to bebendo por conta de uns caraminguás que o cumpadre Círço me deu pra paga o acero que fiz pra ele lá na beira da capuera. Vim só compra uma lingüiça pra armoçar aminhã, é domingo, né?! E as galinha lá de casa tão revortada com galo, num tão botano nada. Alias, Juvena corta uns dez gomo dessa mineira ai, vô manda o meleque leva pra veia já ir ajeitano a janta, e também pra ele sai daqui, sabe comé, senão vai fica aqui me apurrinhano.
Já de posse do embrulho ralha com a criança: Vem cá muleque, leva pra sua mãe fala pra ela frita uns três desse que já, já to chegano pra come, to com uma fome de leão essa branquinha me abriu o apetite, e vê se vai dormir, quano chega lá quero te vê no ninho.
- Ô cumpade toma uma comigo, ô Juvena bota outra pra mim, passa a régua e uma aqui pro cumpadre, só que a dele é queimadinha pó passa a régua também hoje é por minha conta que tenhu sobrano.
Queimada é cachaça misturada com algum outro tipo de bebida escura, conhaque, jurubeba, fernete, etc...
A cachaça que ele estava tomando, nos valores de hoje custaria em media de cinqüenta centavos a um real, ele já tinha tomado umas três, a do compadre por volta de um a um real e cinqüenta centavos. O doce que a criança queria custaria por volta de sessenta centavos.
- Bota um tubo no picuá que vou levar pra toma aminhã.
Outro dia eu vi um cidadão em um supermercado acompanhado de uma criança de uns dez anos, no carrinho o trivial, talvez o equivalente a uma cesta básica, mais uns três pacotes de cervejas em lata e uma garrafa de vodka. A criança com um pacote de fandagos nas mãos disse: Papai compra pra mim? – Larga isso ai menino, isso faz mal, tem gordura trans. Confesso que ficar perplexo foi inevitável, é certo que a justificativa procede, mas como justifica então as três caixas de cervejas e a garrafa de vodka?
  
Hannaell Mendes
26/11/2011 – 00h35min

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

JAZ

Não sejas leviano com sigo mesmo.
Não tente me ludibriar.
Não sou subserviente o quanto pensa.
Posso parecer cego,
mas vejo e sinto tudo que acontece a minha volta.
Não sou nenhum tolo apenas vou te dar corda.
Suas ações malfazejas serão nossos segredos,
as coisas boas que fizeres eu revelarei, mas saiba,
apenas eu serei tão generoso.
E quando tiveres arrochado o laço que te envolve o pescosso,
e não tiveres mais ar para respirar,
por ti deixarei cair uma lagrima.
E em tua lapide escreverei “Aqui jaz...”
Não revelarei teus segredos,
pois minha boca é mais celada que o tumulo que te aconchegara.
Mas o tempo e vento seras contigo implacavel,
toda areia sera levantada, e sua carcaça ficara exposta,
para vergonha daqueles que te amaram.
Apenas eu continuarei te amando...
Recolherei os teus restos,
plantarei novamente em solo fertil e,
regarei com minhas lagrimas,
pelos dias que me restarem...



Hannaell Mendes
25/11/2011 – 13h50min

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

PRETÉRITO IMPERFEITO DO SUBJUNTIVO!

Um anjo negro desceu do ceu montado num cavalo de fogo e uma espada nas mãos. Desceram la na montanha numa grande esplosão, levantando extensa cortina de fumaça, causando uma enorme erosão.
Embrenharam-se na mata!
Enquanto caminhava pela floresta arrastando sua espada o anjo malvado retalhava seu coração, a espada flamejante queimava as folhagem pelo chão. O seu cavalo em chamas sugava as aguas do ribeirão...
Foi uma puta confusão...
As arvores queimaram todas, viraram carvão.
Os indios gritando, correndo pelados com suas tangas nas mãos.
Foi um sururu dos diabos, as forças armadas foram chamadas, chamaram também o bope, mas eles não puderam ajudar estavam instando uma nova UPP na favela da rocinha. A Dilma ficou puta com a situação, demitiu seis ministros acusados de corrupção (so de vinganca são todos inocentes). O sarney ficou indignado e começou a gritar – assim não pode, assim não da, po, Lula – Para de me imitar. Caramba essa porra apagou de novo, Fernandinho, Fernadinhooooo, passa os fosforos. O bicho lerdo so empata. Palmeiiiiiras, sem libertadores, o São Paulo também. E o ano que vem tem eleições para Prefeitos e “Deputados” municipais, salve gente boa, é nois mano.
Que legal, viva a arte e cultura do nosso Brasil, esse caras sabem...
Eu voto, tu votas, ..., eles... PRETÉRITO IMPERFEITO DO SUBJUNTIVO!



Hannaell Mendes
17/11/2011 – 13h30min

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Apenas isso!

Não importa por qual lado vai lutar (o bem ou o mal),
as dores, os sofrimentos que causar,
as lagrimas, o sangue que jorrar,
vai manchar suas vestes, impregnar na sua pele,
inundar sua carne, invadir suas veias,
e seras condenado para sempre.
Fui recrutado por ambos os lados,
e a causa sempre foi justa,
segurei firme minha espada nas mãos.
Para promover a paz, participei da guerra,
para dar a alegria, provoquei a dor.
para salvar vidas, ceifei vidas.
Hoje a dor é so minha,
os sofrimentos são somente os meus,
as lagrimas são apenas as minhas,
o sangue, o sangue,
que corre em minhas veias,
alimenta meu corpo, não é puro,
não é so meu, esta imprignado com o sangue das dores,
dos sofrimentos, das lagrimas, o sangue das guerras.
É este sangue condenado que ainda me faz pulsar no peito,
um coração revolto e magoado,
latejando dentro de uma vida vegetil...

Hoje sou apenas isso!


Hannaell Mendes
16/11/2011 - 14h11min