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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

SEM PARAR

Eu só queria beijar a sua boca,
tocar o seu corpo.
Fazer amor uma noite inteira
e depois que a noite terminar,
beijar-te novamente ainda com o gosto do amor noturno,
tocar seu corpo de novo,
fazer amor um dia inteiro,
e quando uma nova noite chegar,
beijar-te outra vez, tocar seu corpo,
fazer amor mais uma noite inteira
e ao chegar do dia seguinte,
beijar-te outra vez,
tocar seu corpo
e fazer amor até o dia terminar,
e ao chegar outra noite
beijar-te mais uma vez,
tocar seu corpo,
fazer amor a noite inteira
até o dia clarear.
Embriagado de amor olhar-te nos olhos,
acariciar sua face,
alisar seus cabelos,
tocar seus seios,
beijar sua boca e te amar
até mais uma noite chegar.
E quando a primeira estrela no céu brilhar,
beijar tua boca,
acariciar seu corpo,
tocar seu seios,
beijar tua boca,
beijar tua boca,
acariciar seu corpo,
tocar seus seios,
e...



Hannaell Mendes
15/11/2010 – 00h50min

FOME

Encarcerado, agonizando,
algemado a quatro patas como uma fera voraz,
jogada num canto da câmara carcerária.
Meus gritos não ecoam mais,
meus gemidos nem mesmo eu posso ouvi-los.
Ouço passos em minha direção, cada vez mais fortes,
mais próximos...
Abandonado entre ratos e baratas,
dejetos e larvas que teimam em devorar minha carne
antes mesmo de meu coração parar de bater.
Os passos ficaram mais fortes e mais lentos.
Em meio à escuridão um minúsculo foco de luz toma forma,
começa expandir-se vagarosamente.
Em concomitância ouço sinos a dobrar.
Anjos a cantar.
Cessam os sinos!
Calam-se os anjos!
O pequeno foco já em sua forma,
adornado por uma resplandecente coroa, Brada!

- Sou o primeiro, causa única de todas as coisas.
- Consciência plena de tudo que há.
- Verdadeiro em toda sua plenitude.
- Além de mim não há mais ninguém.
- Vim a sua presença porque clamastes por mim.

Embriagado por aquela luz invasora que me queimava os olhos respondi:

Porque demorastes tanto?
Agora não careço mais de ti.

Brincalhão!
Vai-te!
Deixe-me aqui os vermes tem fome!



Hannaell Mendes
15/11/2010 – 00h33min

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Paginas em Branco

Na lembrança um vazio imenso,
um passado distante.

A busca no presente,
o inconsciente incessante,
o interesse constante de encontrar!

“EU”.

Em disparada repete-se na minha mente fleches do passado.
Fleches!...
Fleches mesmo...
Somente um clarão,
seguido de uma pesada e negra escuridão.
Paginas em branco de um grande livro aberto ao vento.

Paginas!

Paginas de um livro em branco...
Paginas de uma história vazia...

História que o tempo apagou...
História que talvez nunca existiu...

O presente em busca de respostas,
de uma história sem história,
escrita num misterioso livro de paginas em branco.



Hannaell Mendes
03/12/2003

Anjo

Uma flecha de luz,
rompe a escuridão.
Atravessa meu peito,
rasga meu coração!
Sinto-me adormecer,
meus olhos se fecham,
meu corpo cai ao chão!
Eu não quero ir,
mas não tenho opção!
Sinto o anjo negro
puxando-me pelas mãos...


Hannaell Mendes
17/06/2000

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

FESTA

Sangrando!
Risos e gargalhadas ao fundo,
são como punhaladas em meu peito.
A música que toca violenta meus ouvidos
sem nenhum pudor, nem piedade.
A angústia, cara a cara me sufoca com seu olhar sarcástico.
Em minha mente para amenizar a dor,
tento criar uma história que seja linda.
Mas a fragilidade do enredo, a música, os risos a angústia
finaliza-a mesmo antes de terminar a primeira frase.

- Tempo!!!

A música cessa.
Apenas vozes entre breves espasmos de silêncio.
Porem ambos armados golpeia meu peito.
Não há mais sangue em minhas veias.

- Tempo!!!

As vozes também se vão.
Mas o silêncio impiedoso continua a golpear.
Tento criar outras histórias,
mas todas morrem antes mesmo da primeira frase.
Em minha mente se forma apenas um,
emaranhado de frases incompletas a espera de uma história.
Mas hoje eu não consigo contar história alguma.
Acendo mais um cigarro e morro mais uma vez,
sozinho na escuridão do meu quarto.


Hannaell Mendes
11/10/2010 – 02h38min

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Noites

No meu quarto escuro...
A fumaça do meu cigarro em caracol,
Toma forma de fantasmas...
No rádio toca uma musica de amor.
No meu peito bate um coração dolorido.
Uma lágrima insiste em molhar minha face.
Na minha mente teu nome ecoa sem parar,
Como uma musica no repetir...
Num gemido involuntário,
Sufoco o grito de “EU TE AMO”.


Hannaell Mendes
30/08/2010 – 23h30min

Seis, Nove, Doze...

Entorpecido pelo álcool...
Gole a gole injetado na minha corrente sanguínea.
Embriagado pela fumaça do cigarro...
Que queima entre meus dedos.
Aspirada pelas minhas narinas,
Entre um trago e outro.
Enquanto bate no peito, meu coração dilacerado.
Rindo entre outros segurando nas mãos...
Cartas marcadas de um jogo melancólico,
Ocultando minha dor, impedindo as lagrimas,
Que de meus olhos querem saltar.
Num grito mudo que ecoa, dentro de mim,
Desejando a ausente presença de quem amo...

Dá-se inicio a mais uma partida, deste jogo,
Que já não mais importa, ganhar ou perder...


Hannaell Mendes
29/08/2010 – 17h20min