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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Apenas uma estória sem graça...

          Em um reino não muito distante e nem tão encantado, um menino (plebeu)... Sagaz, porem sem nenhuma aspiração de realeza. O inverso dos outros meninos da sua idade (adoram brincar de príncipes e princesas, reis e rainhas), alimentando sonhos praticamente impossíveis, mas é assim, brincando que se encontram tesouros...
          Este menino diferente, (por mais que todo o reino não percebesse). Tranqüilo vivia entre os seus, consciente de sua condição. Borboletas era o seu fascínio... Divertia-se, capturando-as... Mas sempre com muito cuidado para não feri-las, não aprisionava nenhuma delas, gostava apenas de apreciar a beleza de suas cores.
         Entre seus dedinhos desnudos, as mantinha cativas somente o suficiente para memorizar os milimétricos detalhes que difere uma das outras (por mais parecidas que sejam aos olhos de um observador comum) – apenas segundos para ele era o suficiente.
          Mas um belo dia (era um belo dia, seria!) enquanto brincava entre as borboletas... Eis que um olhar fitou-o. Apenas um rosto, nele refletido a particularidade bela de todas as borboletas do universo (até mesmo as que nunca tiveram ao alcance de seus olhos de criança)... Toda beleza de suas borboletas, refletidos em um rosto de menina-mulher ou de uma mulher-menina... Em cada expressão a particularidade de uma borboleta.
          O menino então desejou toca-la, cumprindo os rituais de um plebeu ao encontrar a realeza, curvou-se solicitando autorização. A borboleta... Não! A menina! Não, não, a princesa... Não! A menina princesa, com cara de borboleta (ele ficou todo atrapalhado) Ela autorizou o toque do ingênuo menino. Mas antes que seus frágeis dedinhos pudessem tocar o rosto da princesa-borboleta, ao estalar de um galho seco... Voou...
          Toda beleza do mundo escapou diante de seus olhos antes que pudesse tocá-la. Agora o menino sentado à beira do caminho apenas observa as borboletas. -- Nelas não vê mais beleza alguma!
          Segue os dias e lá esta o menino no mesmo lugar enquanto voam a sua volta as borboletas descoloridas...
          O que teria ocorrido?
          Será que ao capturá-las inconsciente roubava-lhes a beleza?
          Não! Apenas observava, devolvia-lhes a liberdade em segundos!
          Aquele rosto misterioso, teria roubado-lhe a beleza de todas as borboletas que havia armazenado em sua mente ingênua de menino?
          Cheio de indagações e sem resposta alguma, vagueia entre as borboletas desprovidas de beleza, julgando a si mesmo.
          Era uma vez...



Hannaell Mendes
18/02/2010 – 22:29

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Amante da Lua

Sou eterno amante da lua (se não fosse impossível, preparava uma escada e iria lá no céu pra buscá-la).
Não sei se sou poeta, mas muito do que escrevi foi em ti (lua), que busquei minhas inspirações.
Adoro o silencio da noite, e em muitas, sonho acordado pensando no amor, vezes amando, outras tentando esquecer.
A esperança é algo que pulsa mesmo quando a vida deixa de animar a frágil maquina humana.
Portanto, mesmo quando o sopro da vida deixar de animar esta minha desajeitada e frágil maquina: Amarei a lua, inspirarei nela meus versos, e sonharei com o amor sob o silêncio da noite, até que um dia não seja mais preciso tentar esquecer quem amo, e quem sabe ainda neste dia a lua esteja cheia e eu possa vê-la caminhando em minha direção com seus logos cabelos e olhos negros, sorriso largo e encantador, vindo aninhar-se em meus braços. No silencio desta noite inspirada pela lua cheia, deixar florescer o amor entre nós.
Então nesta noite um pó de estrela cairá sobre nós...
A noite se calará ainda mais, apenas os lobos uivarão sob a luz da grande lua branca, saudando o nascimento de um eterno amor, nesta noite exceto os lobos, todos se calarão, as trevas da bela noite se dissiparão e com elas serão extintos todos os pesadelos. Cobertos por lindos sonhos despertaremos ao amanhecer.

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Hannaell Mendes
06/02/2010 – 16h14min

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Pensamentos...

“ONTEM”
A felicidade bateu na minha porta. Eu estava no banheiro cagando, quando acabei de limpar meu RABO e fui atendê-la ela já estava virando a esquina abraçada com outro.

AMOR!?!
Sempre que me disponho a amar alguém. O Amor que sinto por você ressurge batendo forte dentro de mim. Até parece que ele não quer que eu ame mais ninguém.

TEMPO
Não importa quanto me restam: 1 segundo ou mais 40 anos de Vida. Quero apenas viver, fazer coisas boas, ser feliz, ajudar pessoas, neste tempo que me resta.

VITÓRIA
Meu objetivo não é mudar o mundo nem compreender as pessoas que nele vivem! Conseguir melhorar eu mesmo, e aceitar os outros e suas diferenças! Já será vitória!

ASSALTO
Hoje eu queria te encontrar, olhar nos teus olhos, invadir tua boca e roubar-lhe um Beijo!

SEMENTE
Talvez eu seja apenas uma semente, que adormecida apodrece no seio fértil da mãe terra...

JUSTIÇA
Alguns juízes são absolutamente incorruptíveis... Ninguém consegue induzi-los a fazer... "JUSTIÇA". (Bertolt Brecht)


A METAMORFOSE CONTINUA...

Eu sou o seu sacrifício, a placa de contramão, o sangue no olhar do vampiro e as juras de maldição.
Eu sou a vela que acende, eu sou a luz que se apaga, eu sou à beira do abismo, eu sou o tudo e o nada. (Raul Seixas)

Talvez a vida, o amor, e a paz seja uma utopia! E a única verdade seja a guerra que travamos dentro e fora de nós mesmos: suicidas perambulando pelas vielas da vida.

Beijos muitas bocas sim... Não porque sou libertino. Mas, porque procuro encontrar em alguma delas... O que um dia encontrei em uma só...

Se eu tivesse coragem hoje ligaria pra você, marcaria um encontro. Olharia nos olhos e sem dizer nada... Beijaria sua boca!

COVARDES

Somente os covardes e fracos ajoelham e suplicam diante dos carrascos.
Tolos que esperam misericórdia sobre o que não tem mais solução...
Os homens verdadeiros e convictos de seus ideais tecem discursos, entoam hinos, declamam poesias...
Enquanto o pelotão dispara...
O assalpão baixa e a corda desloca seu pescoço e impeça de respirar...
O gás espalha pela câmara...
As labaredas sobem e cozinha sua carne...
A lamina desce e separa sua cabeça...


Hannaell Mendes
2010

sábado, 30 de janeiro de 2010

Orquestra dos Motores


Encolhido no seu buraco protegido por um gigante de ferro e concreto, agradavelmente passa as noites ao som da orquestra dos motores, embalado por suas canções de uma nota só, confortavelmente sobre uma placa de papelão que lhe protege da terra úmida, coberto por jornais, ainda com noticias fresquinha publicadas na edição do dia anterior. Noticia de primeira pagina: Senador é flagrado cobrando propina para liberar verbas destinadas à construção de casas populares. Noticia número dois: Confronto entre policia e traficantes deixa quinze mortos em favela (quatro crianças, oito trabalhadores inocentes, dois policiais e um traficante). Noticia número três: Após família tentar internação em quatro hospitais diferentes, trabalhador morre na porta de um hospital a espera de atendimento médico (ele pagava seu plano de saúde - SUS). Éh!! Se não fosse as noticias com iria se cobrir!?!
Tudo isso acontece enquanto descansa tranqüilo no seu buraco depois de um intenso dia de ociosidade... Claro, nem todos seus dias são ociosos, em alguns, seu estomago revoltado e persuadido pela anarquista fome obriga-lhe a caminhar por algumas horas, bater em algumas portas a procura de algo que possa acalmar a revolta anárquica de seu estomago. Outro dia conseguiu um copo de leite quente, mas não lhe caiu muito bem, dentro de seu estomago revoltado o leite coalhou logo... Humm!!! Não foi legal. Bem na maioria das vezes o que consegue e gosta muito são os pães. Alguns duros como pedras outros muxibentos, feito goma de mascar. Porem mediante a revolta de seu estomago instigado pela anárquica fome, costuma nem prestar atenção nestes detalhes. Então quase sempre quando o relógio da matriz bate meio dia, senta a beira da fonte encravada no meio da praça central. À noite e em épocas festivas ela (a fonte) tem suas luzes acesas e põe-se lançar bem alto, esguichos d´água, em perfeita harmonia, como se estivesse a dançar ao som da orquestra dos motores. Bom mas há esta hora ela apresenta-se calma, então apanha um pouco de suas águas e devora com prazer os pães secos, sempre alternando, uma mordida e um gole d´agua. Depois volta tranqüilo para o seu buraco. E quando a tarde anuncia a rendição do sol pela noite que lhe aconchega, mesmo seu estomago não estando em revolta engole com calma e em tirinhas os pães murchos (não gosta de deixá-los para o dia seguinte, podem endurecer e repetir pela manhã a cena do almoço do dia anterior, pode não ser legal). Então!!! Quando termina seu longo, cansativo e ocioso dia, descansa em paz no seu buraco sobre tua macia placa de papelão confortavelmente coberto com as noticias publicadas no dia que se seguiu.
Ah!!! Se ele pudesse...
Gosta tanto da orquestra...
Se não fosse esse seu revoltado estomago...
Instigado e dominado por esta anárquica fome...
Que lhe obriga a caminhar...
A bater palmas...
A tocar campainhas...
Em busca dos miseráveis pães, duros ou muxibentos...
Passaria sua vida inteira ali, sentado a beira do seu buraco, ouvindo a orquestra dos motores...


Hannaell Mendes
16/12/2009 – 01h35min
Texto publicado na Edição do Jornal Oeste Noticias, 19 de Dezembro de 2009

Sujeito Oculto

Cri, cri, cri, cri, cri...
Assim vai mais uma noite...
Tomada de assalto pelo dia...
Encurralada é vencida pela espada de luz...
Á golpes mortais desferidos pelas mãos hábeis do rei...
Desintegrada pelo fio da espada real, resta apenas seu sangue...
Em gotículas sobre as folhagens...
Chamam esse fenômeno de orvalho da manhã...
Que ironia!
Surge garbosa a manhã, tomando para si, a beleza e os méritos...
De uma noite bravia, que encurralada lutou até sua extinção...
Banhando com seu sangue a face da terra...
Uma morte heróica para gloria de uma intrusa...
Assim segue...
O soberano rei do alto de seu trono a tudo observando...
Insatisfeito com a displicência da soberba manhã..
Intolerante que é, envia sua guerreira para devida punição...
E às doze horas é assinada a vaidosa manhã...
À tarde vitoriosa segue entusiasmada pela conquista...
Vingado pela vitória de sua vassala, do alto de seu trono...
Garboso desfila todo seu poder e grandeza...
A vaidade - calcanhar de Aquiles de todo soberano...
Envaidecido, admirando os atributos de sua realeza...
Desperta atordoado ao ver o cair de sua vassala tarde...
Saca sua espada e luta com bravura para proteger seu reinado...
Mas é surpreendido pela vingança e vitalidade de uma nova noite...
Embainha sua espada e bate em retirada...
Traiçoeiro como a maioria dos líderes absolutos...
Utiliza-se das sombras desta novata e inexperiente noite...
Para traçar seu plano de vingança...
E em algumas horas surpreende-la com seus golpes mortais...


Hannaell Mendes
18/12/2009 – 11h41min
Texto Publicado no Jornal Oeste Notícias, Domingo dia 03 de Janeiro de 2010

A Voz Que Chama

Antes mesmo de abrir os olhos, sentiu uma brisa tocar de leve seu rosto, uma voz sussurrava suave em seus ouvidos. Seu coração disparou, o sangue ferveu dentro das veias, transpirar foi inevitável. Logo depois um calafrio... E a voz chamou mais alto.
Algo se aproximou...
Não vê, mas sente a presença, suas mãos lhe tocando; um soluço escapou-lhe e as lágrimas vieram como enxurrada escorrerá pelo rosto, não pode conte-las. Um vazio imenso foi se abrindo no peito, lembranças do passado, vieram à tona, como se fosse um filme de sua vida que passava detalhadamente. Assistiu-lhe criança inocente a brincar, seu Papai e sua Mamãe estavam lá. Pode ver-lhe crescendo, sonhando, sorrindo, descobrindo e decepcionando. Seus sonhos foram tão lindos, mas só foram sonhos. Passado a infância e adolescência, sentiu-se como um passarinho livre para voar sozinho, e voou, voou, voou... Muitas vezes caiu, mas voou novamente muito mais alto.
O filme passou até o dia atual... Estranho não narrava o momento que vivia, a voz então lhe chamou novamente. -- É hora de partir. Percebeu então o que ocorria, voltou-lhe os calafrios e algo mais, o sentimento do medo, ele não queria partir... Caiu então diante da voz e implorou que deixasse ficar. Disse a voz impiedosamente. -- Desprenda-se de tudo, agradeça o que conquistou, reconheça suas derrotas e partes comigo agora.
Nada mais lhe restava a não ser dizer: -- “Obrigado papai e mamãe por ter me conduzido até aqui, desculpe-me caso tenha sido ingrato em algum momento, irmãos me perdoem se algum dia desejei não tê-los. Estranhos que por ventura algum dia os ofendi peço desculpas. Os que me ofenderam aceito as suas, mesmo que não peçam. Amigos que me ampararam e me ajudaram a caminhar, meus sinceros agradecimentos. Minha filha querida, te amarei eternamente, desculpe-me princesa por não poder ficar mais um pouco. Minha esposa queria, desculpe-me se não consegui demonstrar o quanto te amei.
Tomado pela emoção faz seu ultimo pedido: -- Por favor, não digam a minha filha que seu pai foi um fracassado... Obrigado!”
Abraçado com a voz sentiu-se flutuar, escapando-se da vida, seu corpo cansado pode ver ficando para traz... Outras vozes se aproximaram e começaram a lhes acompanhar, algumas cantarolando outras a zombar...
Ainda olhou para traz e disse uma ultima frase: -- Se puderes um dia voltarei para contar...

Hannaell Mendes
14/06/1999 = 01:15:30
Texto publicado na Edição do Jornal Oeste Noticias, 13 de Fevereiro de 2010

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

REVERSO


Hoje... Pouco antes do de jejum, surpreendido pela luz que rendeu a escuridão do seu quarto, ainda em trajes de dormir abriu a janela e fitou o horizonte, deslumbrou-se com o sol ainda envolto pela nevoa da manhã, anunciando o nascimento de mais um dia.
Sentiu que queria chorar as lagrimas de uma vida instável...
Mas olhou para traz e viu uma perfeita regularidade existencial...
Por um instante chegou a se odiar...
Sentiu o ensaio de uma pequena lagrima...
Porém, imediatamente foi invadido por um agradável sentimento de realização...
Vasculhou seu passado e viu tudo intacto, nenhuma lisura...
Por outro instante odiou-se novamente...
Fez tudo de acordo com as leis – dos homens e sagradas...
Novo ensaio de uma tímida lágrima...
Mas aquela detestável e agradável sensação lhe tomará por inteiro...
Por mais que deseje não consegue se odiar...
Então tenta odiar o mundo, por não ter colocado obstáculos algum em seu caminho...
O mundo apresentou-lhe sempre perfeito...
A felicidade plena foi passiva em toda sua vida...
Possuiu tudo que desejou...
Teve tudo que planejou...
Conseguiu tudo que sonhou...
Amou e foi amado por todos... Como amigo e como amante...
Nos cerimoniais da vida sempre foi convidado e recebido com honrarias...
Procurou sempre apenas ocupar um lugar entre a multidão...
Passar despercebido...
Mas sempre foi notado...
Havia sempre um lugar reservado na primeira fila...
Desejou intensamente servir alguém...
Porem sempre foi servido...
Desejou chegar no final da festa... Servir-se sozinho com as migalhas que restaram...
Mas sempre que adentrou os salões, as festividades estavam no seu ápice...
E lá estavam... Reservadas: a melhor bebida, a melhor comida, a melhor musica ainda estava por tocar, à primeira dança com a dama mais desejada estava-lhe reservada...
Caminhou lentamente até a cozinha, sentou-se a mesa serviu-se com o café que sobrará do dia anterior. Apreciou o paladar de seu café, doce porém gelado...
Aqueceu-o com o calor de sua boca, engoliu lentamente gota a gota, levantou-se caminhou até a janela, contemplou o lindo dia que nascerá...
E chorou compulsivamente as lágrimas de sua vida instável...

Hannaell Mendes
09/12/2009 - 11h11min
Texto publicado na Edição do Jornal Oeste Notícias, 27 de Dezembro de 2009