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sábado, 2 de agosto de 2014

Kiss Me



Bem que isso poderia
ser apenas uma poesia,
carregada de dor ou fantasia;
que ironia!
Eu só queria mais tempo
com você.
Te olhar mais vezes nos olhos
tocar seu rosto macio.
Caminhar ao seu lado,
pela calçada
no meio da rua
dar alguns passos a mais...
sentar em algum banco
de uma praça qualquer
tomar um picolé, que Mané!
à noite ou qualquer hora do dia
sábado, domingo
ou outro dia!
Eu queria ter menos coisas a dizer.
Eu queria ouvir mais a sua voz,
tocar suas mãos, assim
como fiz hoje a noitinha.
Abraçar-te sem motivos,
de surpresa, assim
como fiz hoje a noitinha.
Abraçar-te premeditadamente, assim
como queria ter feito hoje
a noite inteirinha.
Eu só queria as mesmas chances
que concede ao meu vizinho.
Se com tudo isso eu não conseguisse
te arrancar uma gargalhada
um sorriso
um suspiro...
talvez eu encontraria a paz que procuro
e você,
o paraíso que tanto deseja.
Me beija?!
 
 
 
Hannaell Mendes
02/08/2014 – 02/08/2014 – 02h35min

AUTORES

Li apenas alguns versos
de Augusto dos Anjos.
Não conheço a literatura
de Machado de Assis,
Capitu!
De orelhada,
Camões
Shakespeare
Brecht
Clarice Lispector e,
Mário Quintana,
e Mário Quintana,
Mário Quintana
... e Eu!
Mas eu só existo
porque encontrei você
E você desencontrou-se
de mim.
Eu, quem sou?
Perto destes e outros tantos?...
Eu só vomito o excesso
Do veneno que corre
Em minhas veias para eu morrer,
mais devagar. 

 

Hannaell Mendes
02/08/2014 – 05h48min

Cinza

Viver é bom,
mas hoje esta tudo tão cinza!
Se algum inimigo me jurar de morte
vou rir na cara dele;
melhor vou gargalhar.
Eu já estou morto!
Morri alguns dias atrás,
morri após o jantar,
logo depois de ver meu amor
ser estuprado,
por um anjo descuidado
que há confundiu
com a Virgem Maria. 
 

Hannaell Mendes
02/08/2014 – 05h26min

Gaza

Porque “Deus” se preocuparia comigo?
Tantos mendigos nas ruas,
enfermos em leitos de hospitais,
famintos na áfrica,
estuprados nas favelas,
nas ruas,
e nas casas de grandes residenciais.
Estropiados na Ucrânia,
Irac,
na faixa de gaza...
Pretensioso eu! 

 

Hannaell Mendes
01/08/2014 – 16h17min

100 – Inspiração

Para que, Por quê?
Porque, para que?
Por que o não, não e sim e sim também?
 
Hannaell Mendes
01/08/2014 – 12h53min

terça-feira, 29 de julho de 2014

Não mais Amém... Agora é obrigado.

Aprendi a rezar quando ainda era criança:
“santo anjo do senhor meu zeloso guardador, se a ti me confiou à piedade divina, sempre me rege, guarda,governa e ilumina. Amém”.
Depois de muitos anos de vida e
outras tantas preces aprendidas descobri que deveria orar,
não apenas preces pré-estabelecidas,
mas também preces indefinidas vindas de dentro do coração,
regozijos de agradecimentos,
soluços e inquietações da alma,
assim chegaríamos mais rápidos e mais próximos de Deus.
Então orei, orei até hoje pela manhã;
todas as preces decoradas e as inventadas na hora que brotaram no coração.
Já é noite e vou dormir sem orar e amanhã pela manhã quando acordar,
não vou orar também,
não porque estou de mau com Deus.
Vou ficar um tempo sem rezar e sem orar,
talvez eu não ore e nem reze nunca mais.
Mas sempre que eu sentir a presença de Deus em alguém,
alguma coisa ou em mim mesmo,
vou dizer
muito Obrigado.
 

Hannaell Mendes
27/07/2014 – 23h22min

SOLUÇO DAS ALMAS

 
Minha alma soluçava e vomitava, embrenhei-me numa floresta densa e desconhecida, caminhei por horas com aquela corda nas mãos, ali e acolá o revoar de um pássaro, o gorjear de outro, um bicho assustado em disparada; assustava-me também. A alma da floresta gritava em meus ouvidos enquanto eu penetrava cada vez mais em suas entranhas.
Estaria eu a feri-la?
Aos pés daquela gigantesca arvore parei, talvez não fosse à maior que havia, mas era enorme; conferi seu tronco e seus galhos, um a um. Testei dois ou três.
Estendi a corda sobre o corpo nu da floresta coberto apenas por folhas e a venerei. Fiz uma prece e cheguei a acreditar que naquele momento se faria minha redenção.
Tomei a corda nas mãos e a beijei carinhosamente, lancei-a sobre um dos galhos, o mais resistente que pude constatar, a floresta gemeu, um gemido tão triste! Triste, amargo e angustiante; assim jamais ouvi.
A alma da floresta então sussurrou em meus ouvidos.
Eu cometi um crime.
Fui até a cozinha e tomei uma xícara de café, pareia a soleira da porta entre a cozinha e a copa, qual dava vistas para sala de estar. Voltei ao interior da cozinha, peguei outra xícara de café. Na sala de estar pedi permissão, coloquei a xícara com café à mesa e sentei. Fumei um cigarro enquanto tomava o café, peguei outra xícara de café na cozinha, à mesa acendi outro cigarro e segui tomando a outra xícara de café. Mais ou menos pelo meio do segundo cigarro abri a boca e comecei a morrer, de fato eu morri, morri aos poucos a cada palavra, a cada gole, a cada trago, diante daqueles olhares assombrados.
Morri falando, fumando e tomando café!
Muitos cigarros, vários cafés, tantos que a garrafa ora na cozinha acomodou-se a mesa na sala de estar.
Eu morri enquanto falava, e quando minha voz cessou ouvi a voz das almas que morriam comigo dentro daqueles olhares assustados. Frágeis, almas tão frágeis quanto a minha alma.
Estariam elas também morrendo assim como eu?
Ressuscitei ao ouvi-las e as almas também, mas ainda estamos todos embrenhados nessa floresta densa e assustadora. O caminho de volta parece ser longo, não se sabe ainda o quanto caminhamos mata a dentro.
Agora não estou sozinho as almas caminham ao meu lado, a corda ficou para traz deitada no seio da floresta sob a frondosa arvore.
Desculpem-me escapou-me algumas lágrimas.
Essa é uma história, a nossa história!
 
 
Hannaell Mendes
27/07/2014 – 22h26min